terça-feira, dezembro 05, 2006

Perda/Sensação de perda

Em maior ou menor grau, todos já vivenciámos a sensação de perder algo. Algumas perdas são definitivas. Outras imaginamos que possam ser temporárias e que, quem sabe, talvez venhamos a recuperá-las. Nestes casos a esperança da recuperação, se mescla à dor da perda, numa simbiose curiosa.

Eu costumo distinguir a perda em si, da sensação dolorosa que a perda provoca em nós. Quantas vezes sentimos de forma tão profunda a perda de algo a que, supostamente, nem davamos tanto valor assim.

A sensação de perda, principalmente a definitiva é, realmente, uma sensação de impotência.

A sensação de que poderíamos ter feito algo que evitasse a perda o que nos permitiria não ficar com o estigma da culpa.

Todavia, as nossas perdas acabam também, num paradoxo somente aparente, fazendo parte de nós. Exatamente porque aquela dor nos temperou, nos deixou capazes de sobreviver, apesar da perda.

Assim, ela acaba sendo um ganho, de certa forma. Até as sensações de saudade e a nostalgia que acontecem quando nos lembramos do que perdemos, é algo intrínseco em nós que, indubitavelmente, marca a nossa personalidade. Mesmo que seja algo, aparentemente, sem muita importância consciente.

No subconsciente, permanece lá. Fazendo parte de nós.

Não há como negar. Nós somos o que o nosso passado fez com que fossemos, associado ao que desejamos ser no futuro.

O presente? Ora. O presente de alguns segundos atrás já virou passado e até esta mensagem que escrevi sem sequer rever, já é parte de mim que agora divido com vocês.

Ou será que já era antes?

Massai-Massai

2 Comments:

Blogger espiral said...

Perdemos a cada instante que passa,e ganhamos em cada momento vivido. Estranha esta contabilidade!

10:25 da manhã  
Blogger Poliedro said...

Sim. Há certas perdas que merecem que as tornemos a rever porque sentimo-nos culpados. Talvez, pudessemos fazer algo mais para as evitar. Essas perdas, penso, que perduram para sempre no nosso remorço e na nossa lembrança. Concordo em absoluto que a nossa existência está condicionada pelo nosso passado e pelo que pretendemos ser no futuro. É uma dedução brilhante.Penso como tu.
Desculpa. Onde aprendeste a escrever tão bem?
Abraço. Não me esquecerei de ler-te mais vezes. Acredita! Eu que não consigo expressar-me tão bem, mas tento a cada instante aprefeiçoar-me. Estou receptivo à aprendizagem!

10:22 da manhã  

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