terça-feira, novembro 07, 2006

Os fragmentos do silêncio

Silencio-me, e decido-me a pensar o silêncio.
Palavra simétrica, com dois extremos, com um centro de gravidade a pressionar de forma ortocêntrica, tornando-a numa palavra côncava.. de textura suave, como um lenço de cetim numa manha de primavera, e leve….., suspensa no espaço, de movimento levitante. Será que existe o silêncio?
Questiono-me se alguma vez o toquei… ou senti a ausência de som, feito um vazio de sinais sonoros que cruzam e se adensam na nossa dimensão.
Desconhecendo a sua existência, percepciono um afecto bem estruturado que se liga a ele. O gostar de algo que talvez não exista. Algo intimamente ligado a mim, no antes de existir e no depois do ter existido como ser humano. O que é a morte, senão um silêncio prolongado eternamente?
No entanto considero que o silêncio, talvez seja uma das minhas facetas mais acentuadas, faz visceralmente parte de mim, e ao me envolver tão profundamente e de forma tão continuada, assume tonalidades contraditórias ao significado etimológico, que me leva a questionar a sua existência. O silêncio converte-se em cenário, ou pano de fundo aos diálogos, que construo de mim para mim, onde funciono como emissor e receptor simultâneos, e que são permanentes, diversificados, sem sequência lógica; em contrapartida são construtivos, criativos, dinâmicos, e essenciais para eu conseguir sobreviver e crescer. Mas terá isto a ver com o silêncio de faceta acústica? Afinal quantos silêncios existem?
… o silêncio da ausência,
… o silêncio redobradamente feminino,
… o silêncio da dúvida,
… o silêncio da certeza,
… o silêncio por um minuto,
… o silêncio da espera,
… o silêncio ignorado,
… o silêncio profundo,
… o silêncio dos inocentes,
… o silêncio cobarde,
… o silêncio obscuro,
… o silêncio das naturezas mortas,
… o silêncio das borboletas.
… o silêncio do desapontamento.
... o silêncio esquisofrénico.
… o silêncio da fé.
… o silêncio com palavras.
… o silêncio da madrugada


… os fragmentos do silêncio.

1 Comments:

Blogger Poliedro said...

Dada a tua simpática presença em tudo o que fazes, vês e ouves, de certeza que já tocaste o silêncio, sem sentires o vazio.
Ele existe... Ele está presente...
E, em ti também! Sente-o e verás que consegues alguma magia de encantamento pela sua presença.
Adorei.
Saudações

6:16 da manhã  

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