quarta-feira, novembro 08, 2006

O que diz o silêncio



Venho escutar o silêncio
Dos teus labios que recusam
Os meus beijos
Do teu ventre
Que recusa a semente
Dos meus cravos
Dos meus sonhos
Tão somente

Venho com a corda ao pescoço
Tal Egas Moniz
Rendido ao charme mudo
Dos teus olhos
Ao sorriso surdo que enfeita
A tua face
Menina, mulher e mãe
Sempre direita

Venho talvez queimar-me
Tal insecto
Voador
Sem asas
Sem destino
Queimar-me corpo e alma
Em tua mão
Estendida suave, doce
É o pão
Que alimenta
O palpite
Do meu peito

2 Comments:

Blogger espiral said...

Temos mais um sonhador connosco, a traduzir o seu desassossego.
Sê bem vindo!

12:48 da manhã  
Blogger Poliedro said...

Creio que esta poesia bela retrata o amor. Um amor sofrido em silêncio.
Achei a refexão e a abordagem ao silêncio, num pressuposto oculto, mas sincero e ansioso, de implicações amorosas maravilhosas relatadas com ardor e clarividência. A força da narrativa poética é surpreendente! Gostei.
Saudações.

10:44 da manhã  

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home