quinta-feira, novembro 16, 2006

Guardador de silêncios

Muitas vezes eu me vi triste por não poder guardar o tempo..
E várias vezes sentia como se estivesse a tentar segurar areia fina nas mãos.
E os bons momentos jamais voltariam


Mas então percebi que pra cada momento da vida...Eu estava a ouvir música.
E com essa mania de ouvir música eu consegui uma proeza.
Eu parei o tempo.


Simplesmente porque a música marca e pára o tempo..
Regista o momento, uma música para cada momento..
Dessa forma quando escuto música me transporto .


Me transporto para épocas antigas, Conseguindo assim...
De uma certa forma reviver o meu passado..
As coisas agora não ficam mais tão perdidas.


Através da música, fecho os olhos e me lembro exactamente
do que estava sentindo naquele momento... Bom ou ruim.
Percebendo assim que temos uma maquina do tempo
Tão simples e fácil de se usar.


O combustível dessa máquina e sua imaginação..
A estrada é uma canção.
E o guia, é o coração....
O medo feito silêncio

quinta-feira, novembro 09, 2006

Triangulo rectangulo contido em um semi-circulo


Primeiro, nada mais era que um segmento, de direita, deitado horizontalmente, em sinal de submissão.
Pensei que, para um dia alcançar o paraiso, seria necessario elevar uma perpendicular a partir do extrêmo do segmento, extrêmo até então considerado como uma das metas da vida.
Pensei.
No entanto o esboço de vertical, apareceu rapidamente como pouco fiavel, em perpétuo desiquilibrio, pois, contra vento e marés, o globo terrestre continuava a girar, produzindo um efeito perturbador, no verticalismo de uma linha direita sem solidos alicerces para um definitivo équilibrio estatico.
Por uma questão de equidade, confiei as minhas duvidas ao compasso, unica garantia de equidistancia entre um centro que sempre fora obra do destino e uma periferia obtida pela graça da rotação.
Algures, no branco do papel, coloquei a ponta metalica e aguda do instrumento, confiando como imaginado anteriormente, o centro da minha razão à sorte. Regulo então a distancia entre as pontas do dito de tal maneira que ao desencandear a rotação do compasso, a linha curva obtida cortasse a horizontal, primeiro em um ponto A do seu comprimento, depois em um ponto B correspondente au extrêmo do segmento considerado. Entre A e o centro do circulo, tracei uma nova direita, mas constactei que não somente era obliqua, como também tornava a cortar o circulo primitivo em um ponto C, um pouco mais acima.
Elevava-me.
Estava pois em bom caminho.
Conclui que o segmento que, passando pelo centro do circulo, cortava este em dois pontos distinctos e opostos, nada mais poderia ser que o seu diametro .
Foi assim que no semi-circulo do meu silêncio, nasceu o triangulo rectangulo da minha esperança.
Uma horizontal finalmente, também pode vir a ser, um dos lados da encosta que nos aproxima dos céus.

quarta-feira, novembro 08, 2006

O que diz o silêncio



Venho escutar o silêncio
Dos teus labios que recusam
Os meus beijos
Do teu ventre
Que recusa a semente
Dos meus cravos
Dos meus sonhos
Tão somente

Venho com a corda ao pescoço
Tal Egas Moniz
Rendido ao charme mudo
Dos teus olhos
Ao sorriso surdo que enfeita
A tua face
Menina, mulher e mãe
Sempre direita

Venho talvez queimar-me
Tal insecto
Voador
Sem asas
Sem destino
Queimar-me corpo e alma
Em tua mão
Estendida suave, doce
É o pão
Que alimenta
O palpite
Do meu peito

Sinfonia do Silêncio

Queria tocar-te como se fosses um piano
Passear as minhas mãos no teu corpo
Sentir-te um arrepio
E fazer música dos teus gemidos
Compor-te em sinfonia perfeita
Conduzir-te em orquestra
Num ritmo triunfal.
Em sintonia com a beleza
Correr no tempo e no espaço
Num ritmo triunfal.
E fez-se a sinfonia do silêncio

terça-feira, novembro 07, 2006

Fragmento que ficou por editar devido a silênciosa implicancia digital.

Os fragmentos do silêncio

Silencio-me, e decido-me a pensar o silêncio.
Palavra simétrica, com dois extremos, com um centro de gravidade a pressionar de forma ortocêntrica, tornando-a numa palavra côncava.. de textura suave, como um lenço de cetim numa manha de primavera, e leve….., suspensa no espaço, de movimento levitante. Será que existe o silêncio?
Questiono-me se alguma vez o toquei… ou senti a ausência de som, feito um vazio de sinais sonoros que cruzam e se adensam na nossa dimensão.
Desconhecendo a sua existência, percepciono um afecto bem estruturado que se liga a ele. O gostar de algo que talvez não exista. Algo intimamente ligado a mim, no antes de existir e no depois do ter existido como ser humano. O que é a morte, senão um silêncio prolongado eternamente?
No entanto considero que o silêncio, talvez seja uma das minhas facetas mais acentuadas, faz visceralmente parte de mim, e ao me envolver tão profundamente e de forma tão continuada, assume tonalidades contraditórias ao significado etimológico, que me leva a questionar a sua existência. O silêncio converte-se em cenário, ou pano de fundo aos diálogos, que construo de mim para mim, onde funciono como emissor e receptor simultâneos, e que são permanentes, diversificados, sem sequência lógica; em contrapartida são construtivos, criativos, dinâmicos, e essenciais para eu conseguir sobreviver e crescer. Mas terá isto a ver com o silêncio de faceta acústica? Afinal quantos silêncios existem?
… o silêncio da ausência,
… o silêncio redobradamente feminino,
… o silêncio da dúvida,
… o silêncio da certeza,
… o silêncio por um minuto,
… o silêncio da espera,
… o silêncio ignorado,
… o silêncio profundo,
… o silêncio dos inocentes,
… o silêncio cobarde,
… o silêncio obscuro,
… o silêncio das naturezas mortas,
… o silêncio das borboletas.
… o silêncio do desapontamento.
... o silêncio esquisofrénico.
… o silêncio da fé.
… o silêncio com palavras.
… o silêncio da madrugada


… os fragmentos do silêncio.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Os Momentos mais Belos Feitos de Silêncio

Os Momentos mais Belos Feitos de Silêncio

Sempre me vi e revi entregue à minha melancolia existencial e, assumidamente, à suposta incompreensão e parasitismo do que aparentemente sou. Nunca me olhei com ambições, próprias do ser humano comum, mas com ideais e valores a ele inerentes que defendo convicta e empenhadamente. Nunca fui do género de existir para agradar. Não! Não agrado a toda a gente, só para agradar e ficar feliz comigo próprio e com eles. O carácter e a tranquilidade do meu interior é só comigo e guardo-o como um tesouro e uma relíquia muito valiosa desde pequeno. Sou sensível ao que me rodeia, apesar de não pertencer a ninguém em particular. A Beleza e a Felicidade não as compro, vivo-as à minha maneira, sem intromissões de quem quer que seja. Definem-me como uma pessoa peculiar, que penso ser errado e incorrecto aos seus olhos, apesar de preocupar-me à minha maneira, com o bem-estar e a felicidade dos outros com sinceridade absoluta, verdadeira.. Sou normal como a vulgaridade das pessoas! Enfim, sou pouco sociável, mas solidário e, tentando compreender a forma natural das pessoas, das coisas e do Mundo! Sei que só se vive de uma vez só, mas essa vida, será como a vejo, como a sinto, como a penso e como me emociona. Não a desperdiço, podem crer! Tudo ganha vida à minha volta quando descortino e percepciono atentamente o silêncio e a sua magia. A sala! Os móveis! A luz! As paredes! Os minúsculos insectos! Entranham-se em mim e fazem-me sobreviver, na pacatez dos meus intensos sonhos que se instalam, sem avisarem ou pedirem licença! Quando escrevo ou reflicto, as palavras bailam-me com emoção, pela forma exacta e excessivamente séria como saem do meu pensamento. Os textos e as ideias acontecem naturalmente, expressando o que vejo e revejo, incessante e nitidamente. Assolam-me, como é natural, momentos felizes e belos, porque os tenho escondido numa caixinha bem secreta, guardada dentro de mim! Bem guardados, porque vertem lágrimas sentidas de felicidade e encanto quando surgem. Pura ternura que coabita comigo! Esvaem-se num êxtase único de segredo pela sensação agradável de me pertencerem e darem sentido à minha pouco preenchida vida. São sonhos acordados, vigilantes, protectores! São lágrimas expressivas, plenas, intransmissíveis! A vida é um ciclo perfeito de emoções. Há o nascimento. Há a vida e, depois, o seu término. Nesse percurso há de tudo e, a tudo temos de nos agarrar, com garra e coragem, quase de um poderoso leão. É assim! Tem que ser assim! Talvez, exista Ele a proteger-nos, a vigiar-nos, ao nosso lado pronto a intervir. Será que Lhe podemos entregar a vida? Para muitos, a verdade é essa, inequívoca, sentida, única! Sinceramente, eu não sei! Como poderia eu saber? Existo somente! Tento viver unicamente! Com momentos belos e felizes, que tenho e acredito. Plenamente! Mas, acreditem. São meus! Só meus!

O Silêncio

O Silêncio

Gosto de ouvir o silêncio. Sim! Atentamente! Escuto-o! Os outros? As pessoas?Não sei. Sinceramente, não sei. É fascinante porque parece brincar comigo.Gosto de o manusear, escutá-lo, senti-lo quando entra em mim e me absorve intencionalmente com fascínio. Não! Não me atemoriza. Não estou só.Tenho-o a ele, só para mim. Olho à minha volta e tudo é feito de silêncio.Até a casa está a pactuar com ele e comigo, ajuda-o, ajuda-me. Consigo pensar nas coisas mais incríveis e fantasmagóricas feitas de silêncio porque, lado a lado, vou com ele para onde ele me leva. Todos estão mudos, menos ele, que se expressa em mim e comigo na avalanche de sonhos e encantos da vida. É por isso que o escuto em tudo o que me rodeia, em tudo que vejo e faz parte carinhosamente e amigavelmente da minha existência. Sei que me compreende, porque eu compreendo -o. Não sei se o compreendo, mas ele, tenho a certeza inequívoca que me compreende. Respeito-o! A telefonia calou-se. As pessoas que amo deitaram-se. Resta-me escutá-lo e cavalgar na ilusão de que, de tempos em tempos, só eu e ele, o silêncio e eu, unidos, podemos magicamente sonhar na quietude dos instantes, das horas, do descanso dos relógios que pararam para nos dar um espaço de dignidade. O silêncio tem dignidade! Acredito na dignidade e na majestosa importância dele, do silêncio. Podia-se estudar.Aparecer nos manuais escolares e nos manuais da vida, mas, penso eu, que iriam maltratá-lo, ignorá-lo, não o compreender. Quem é que compreende o silêncio? Só o compreende quem consegue escutá-lo, amá-lo, estudá-lo, enfim, vivê-lo! Vivê-lo, plenamente. Não! Acreditem que não tenho nenhum medo de insanidade mental em mim, só por adorar, compreender, estudar e amar o silêncio. Se a tivesse, diria. Mas, primeiro dir-lhe-ia a ele. Ele estava em primeiro lugar, podem crer. Como ele gosta, não lhe digo. Absorvo-o.Delicio-me com ele e com a tranquilidade que me envolve e que ele me dá.Faz-me pensar em coisas incríveis, boas, sinceras, únicas, verdadeiras. Entro num mundo que me faz sentido. Um mundo de canteiros de flores, jardins, aventura, música, poesia, imensamente bela e resplandecente aos meus olhos.Depois, foi feito para amar sem ruído, numa atitude única de bem-estar e conforto todos os que o escutam, sem protestos, sem exigências. Deixem-no levá-los, porque estão bem entregues, acreditem! Não! Ele não faz mal. Faz pensar. Só pensar! E pensar é bom. Pensar, faz acreditar que estamos vivos e compreendemos os mistérios da vida. Os mistérios do amor. Da intransigência violenta. Da hipocrisia egoísta. De quem, por não compreender, nos quer perturbar, sem ouvir, uma única vez, o silêncio. Ouvir, uma vez só! Depois, tudo poderá acontecer, porque podem gostar dele, da sua calma, do seu afago, do seu discernimento de poderem livremente pensar.Eu adoro escutar o silêncio! Sinto-o! Compreendo-o! Faz parte de mim!
É como um afago sincero! Uma carinhosa melodia escutada, dificilmente transmissível.
Só para mim! Acreditem, porque é!