terça-feira, outubro 17, 2006

Ainda bem que somos diferentes, só assim faz sentido!

René Magritte

Prisões livremente abertas

Na minha liberdade de escrever o que me vai na gana, fruto de revoluções pernanentes, procuras insistentes, dar e baralhar de novo, mudo de diapasão, não para fugir, mas para esvoaçar a um vento qualquer.
Uma das grandes diferenças entre homem e mulher (a muito grosso modo, obviamente) é que os homens, emocionalmente menos complicados, sabem bem o que querem em termos de mulher, encontram-na rápido, ficam felizes com a descoberta e acomodam-se.Já as mulheres nunca têm a certeza de que tipo de homem estão à procura.
A maior prova disso é que os homens, quando reclamam das suas mulheres, é porque elas mudaram.
As mulheres, por outro lado, dizem: mas este homem nunca muda!assim, levemente vou de nenufar em nenufar levando água ao meu moinho.

sábado, outubro 07, 2006

"O Pensamento Aprisionado"

"O Pensamento Aprisionado"


Os únicos e autênticos grilhões que coabitam em mim, estão pendurados no
meu pensamento. Existem e são reais. Não me esquecem ou abandonam,
facilmente! Necessitam de mim e eu deles! Permanecem agarrados à avassaladora
inércia das ideias, pecando por soltarem-se! Afinal, porquê? Vivem na pacatez
e no silêncio do quotidiano, sempre presentes e indissolúveis. Perante uma
necessidade preguiçosa e parasita que exigem discrição, soltam-se e vagueiam
não muito satisfeitos na minha mente, já muito gasta e preenchida. Existem
para incomodar! Sinto-me algo confuso e insatisfeito. Não! Não tem nada a ver
com as pessoas! Tem a ver com a complexidade e as exigências estereotipadas do
mundo de hoje. Além do mais, desculpem-me, mas sobrevivo repleto de enxaquecas
desconcertantes, mas muito saudáveis e necessárias. Alertam para a vida!
Fazem-me existir! São sinais reais, mas intransmissíveis de que estou aqui!
Estou aqui, agrilhoado ao meu fiel e sincero pensamento, que me ajuda de noite
e de dia a sobreviver. Ajuda-me a fluir na imensa multidão que compartilha
comigo os milagres de sonhar e de viver! De viver e de sonhar, lado a lado,
unidos num objectivo comum, consolidar desejos e ambições. Não! Ele, o
pensamento agrilhoado, permanece preso por ideais, ideias por satisfazer, leal
e presente, mas aprisionado. Entendem? E as prisões do pensamento são comuns
a todos os mortais. Eu! Sou mais um! Se o soltarmos não existimos. O
maravilhoso sentimento da existência soçobra, cai, esvai-se num vazio e
morre. O pensamento é algo de precioso, é algo como um grande tesouro que nos
habita e, a sua magia conduz um barco, num vasto oceano de águas puras, mas
revoltas e alteradas, em face de um maremoto, orientando-o rumo a um porto
calmo e seguro. Os poetas e os sonhadores compreendem o Universo que Ele criou,
perfeito na sua imperfeição. Eu, aprisionado no meu pensamento, compreendo-o
à minha maneira inequívoca, de o observar e de o sentir, um pouco como eles.
Ele criou-o, mas esqueceu-se do pormenor de criar o pensamento comum sem ser
aprisionado, remetido ao nosso interior, sensível a tudo e a todos. Podemos
soltá-lo um pouco e, depois? Acontece que queremos divagar, corrigir e amar
também. Algo, surge...- A imperfeição! Incompreensível nas suas
contrariedades e dificuldades de ultrapassar, que exigem lucidez e prontidão
de actos sóbrios e sensatos. Os mais fortes vencem e os outros? Os pensamentos
acomodados e submissos na bajulação prosseguem intactos, mas os outros? O
pensamento criativo, insubmisso e atento? Que fazem a esse? Nem tudo está bem.
O pensamento esconde-se, retrai-se e dissolve-se! Os agrilhoes do pensamento
surgem. Mais tarde, o Universo que nós criamos, morre connosco! E com ele,
morre o sublime pensamento agrilhoado! É o fim. E, libertamo-nos, finalmente!
Mas, infelizmente, já é tarde demais! Acabou-se! Resta a dignidade e a
seriedade, esquecidas logo, do que ele foi!

By Poliedro